9. Sobre as anotações em livros

O Bruno Magalhães, em seu canal no Youtube fez um chamado para que seus expectadores respondessem a duas perguntas sobre anotações de leitura.

Por que você sente necessidade de anotar durante as leituras?
Qual a função que as anotações tem no seu aprendizado?

Respondi lá no próprio vídeo, mas deixarei registrada as respostas aqui também.

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Antes de responder, primeiro gostaria de agradecer o excelente conteúdo canal. Sou um dos muitos espectadores silenciosos.

Tuas perguntas me lembraram um texto do Mortimer Adler, How to mark a book (1942).

A passagem onde o Adler nos faz encarar um livro como um alimento, não como um mero objeto, me marcou bastante.

“Existem duas maneiras de possuir um livro. A primeira é a direito de propriedade que você adquire ao comprá-lo, assim como você paga por uma roupa ou um móvel. Mas este ato de compra é apenas o prelúdio da posse. A apropriação só se torna completa quando você faz do livro parte de você, e a melhor maneira de fazer isso acontecer é escrevendo nele. Podemos ilustrar da seguinte maneira: você compra um bife e o transfere da caixa de gelo do açougueiro para a sua própria, no entanto, você não se apropria até consumí-lo e fazê-lo chegar até sua corrente sanguínea. Eu argumento que,  livros,  também devam ser absorvidos pelo nosso sangue pra que posso te fazer algum bem.”

– As respostas –

1° – Por que você sente necessidade de anotar durante as leituras?
R: Para registar os tesouros encontrados. Como num mergulho no mar em busca de pedras precisas, uma leitura edificante é marcada pela quantidade e qualidade das jóias encontradas. As anotações são um mapa para voltar à expedição.

2° – Qual a função que as anotações tem no seu aprendizado?
R: Servem tanto para reativar a memória da passagem, quando para facilitar futuras citações e consultas.

Grande abraço e boa semana!

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8. Desculpa qualquer coisa

Todos nós carregamos uma mochila invisível de sentimentos. E em algum momento da vida ela estará pesada demais para prosseguirmos. Vasculhar o estoque de sensações e lembranças que carregamos em nosso corpo e mente é um convite para iniciarmos um solitário e silencioso processo de faxina emocional.

Foi durante um desses bota-fora emocionais que me dei conta que carregava um trambolho do peso de um trem: as culpas.

Sem saber o que fazer com as culpas que carreguei por tanto tempo, me vi diante das duas únicas soluções aparentes: ou as botava na mochila invisível de outra pessoa, ou as assumia para mim.

Mas e se pudéssemos transformá-las em outra coisa?

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7. Ironia & Sarcasmo, vocês estão nos atrapalhando!

Não faz muito tempo, dizer o que se pensava poderia fazer de você um criminoso, eventualmente te levar à cadeia – ou à fogueira.

Em lugares onde a repreensão à livre expressão é mais pesada, artistas e rebeldes precisam recorrer a recursos de linguagem para contornarem a censura. Entre metáforas, eufemismos e hipérboles, dois recursos retóricos se entranharam na forma como conversamos:

a ironia &  o sarcasmo.

Aparentemente inofensivos, esses dois trastes estão corroendo os nossos diálogos – principalmente os diálogos online. Isso é tóxico e precisa ser contido.

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6. Sobrevivendo à avalanche de informação

Plin! – Novo e-mail.
Pode ser importante.” – penso.
Não é.

Aproveito que estou com o celular na mão e começo a ver o vídeo que compartilharam no grupo do Whatsapp.

São duas e meia da manhã. Perdi o sono.
Perdi também o controle sobre o consumo de informação.

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5. Precisamos mesmo encarnar o advogado do diabo?

Por alguns séculos existiram pessoas designadas pela igreja a confrontar com ceticismo os novos candidatos a santo. Procurar falhas no argumento e inconsistências nas provas: essas eram as funções do promotor da fé, conhecido popularmente como advogado do diabo.

Esse peculiar ofício foi abolido em 1983. Seu legado, não.

Ao lembrar a última conversa em que uma pessoa, subitamente, resolveu defender um ponto de vista em que não acreditava, apenas para testar um argumento, fiquei incomodado. Ela queria parecer zelosa. Soou traiçoeira.

Costumava fazer o mesmo. Comigo e com os outros. A preocupação em excesso com planos detalhados me travava. O medo do incerto me fazia assumir uma postura defensiva. Por reflexo, criticava com acidez qualquer ato de mudança. Estava cego para o novo.

Encarnava ali o papel do advogado do capiroto.

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4. Não alimente o monstro-lista

Parei para pensar na quantidade de listas que fazia diariamente.
De convidados 
De compras
De tarefas a fazer
São tantas que poderia listá-las.

Quanto mais as fazia, menos vontade tinha de cumpri-las. É como se já acordasse com uma dívida, e quitá-las fosse o grande desafio do dia. Quando dou conta delas me sinto produtivo. Quando não, bate uma deprê. Pois a lista do dia seguinte começará maior do que o esperado.

Sem notar começava a alimentar um monstro.

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