15. Notas ~ Bando 3

I.

Um achado!

“Aqui estão todos os discos lançados pela ‘Discos Marcus Pereira‘, selo independente de música brasileira, cada vídeo é um disco completo.

Apaixonado pela música do Brasil e em resposta ao que considerava a dominação do cenário musical brasileiro pelas indústrias multinacionais, bem como a descaracterização da música popular brasileira pela excessiva influência e imitação de grupos estrangeiros, Marcus Pereira se destacou por promover a gravação e trazer a lume composições genuinamente brasileiras, revelando assim, o mapa musical do Brasil.”

II.
Em meio a sensação de impotência e desesperança com a tragédia material e simbólica do Museu Nacional, o Dionisius Amendola traz – em suas palavras – um fecho de luz para a escuridão:

“Como recuperar algum senso de esperança depois do evento trágico da queima do Museu Nacional?

Comece cultivando a sua liberdade interior, seu ‘museu particular’: leia um poema, ouça uma música, assista um filme, termine o romance que deixou de lado…”

“(…) perder a esperança é ser coberto por um niilismo infantil que nada de bom irá gerar. Ninguém falou que era fácil cultivar a vida do espírito (…)”

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14. Notas ~ Bando 2

I.
É tentador menosprezar um aforismo pelo seu tamanho compacto. Foi com Nietzsche e Taleb que me abri para esse quase-poético gênero literário:

“Por que não se lêem mais os grandes mestres da sentença psicológica? Sem qualquer exagero: o homem culto que tenha lido La Rochefoucauld e seus pares em espírito e arte é coisa rara na Europa; e ainda mais raro aquele que os conheça e não os insulte.” (Nietzsche)

“Bem cunhado e moldado, um aforismo não foi ainda ‘decifrado’, ao ser apenas lido: deve ter início, então, a sua interpretação, para a qual se requer uma arte da interpretação.” (Nietzsche)

“Aforismos são diferentes de textos convencionais. O autor recomenda ler não mais do que quatro aforismos de uma só vez. É preferível selecioná-los aleatoriamente.” (Taleb)

Vida longa a Machado, Goethe, Balzac, Baltasar Gracián e Joseph Joubert!

II.
Se encararmos a cultura com um cultivo da nossa personalidade; na auto-educação como um esforço para superar nossa ignorância; e na felicidade como a sensação confortável de aceitar quem se é, descobriremos que é no silêncio da solidão que cultivamos nossa paz de espírito, por tanto, é preciso proteger esses momentos preciosos com o empenho de um sentinela ao proteger o sono de uma criança.

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13. Pensamentos ~ Bando 3

I.
Para aprender a ficar junto, antes, é preciso aprender a ficar sozinho.

II.
O amor que emano é proporcional ao que cultivo para mim mesmo.
Não se pode dar o que não se tem.

III.
Tive meu primeiro sonho poético. Nele, uma senhora disse-me algo assim:

“Os versos feitos no Brasil
ou são de uma inocência infantil
ou tem um quê de 1º de abril.”

Vou tomar como uma auto-crítica.

IV.
Qualquer conversa sobre políticas públicas só faz sentido se, de início, trouxer as respostas para estas duas perguntas:

Quanto custa? Quem paga?

V.
Qualquer aumento ou criação de imposto que não seja aprovado em referendo popular é sacanagem – pra não dizer que é roubo.

IV.
Nossa personalidade é nossa fortaleza.

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12. Notas ~ Bando 1

I.
Herberto Sales, em sua memórias, ensina-nos o valor em buscar nos clássicos o ponto de partida para as nossas criações: “Se os inovadores não levantam o seu inovador voo a partir de bases da tradição, seguramente não irão muito longe. Não vão acrescentar nada a nada. Enfim, nada se faz se não se faz em continuidade a alguma coisa”.

II.
As palavras de Cícero, passados dois mil anos, ainda nos dizem muito sobre a arte de envelhecer:

“Conta-se que Mílon fez sua entrada no estádio de Olímpia carregando um boi sobre os ombros. O que vale mais? Ter esse vigor físico ou aquele, inteiramente intelectual, de Pitágoras? Em suma, usemos tal vantagem quando a tivermos e não a lamentemos quando ela desapareceu. Acaso os adolescentes deveriam lamentar a infância e depois, tendo amadurecido, chorar a adolescência? A vida segue um curso muito preciso e a natureza dota cada idade de qualidades próprias. Por isso a fraqueza das crianças, o ímpeto dos jovens, a seriedade dos adultos, a maturidade da velhice são coisas naturais que devemos apreciar cada uma em seu tempo.”

III.
Um lembrete de Goethe:

“Uma pessoa deveria ouvir um pouco de música, ler um pouco de poesia, e ver um bom quadro todo dia da sua vida para que as preocupações mundanas não apaguem o sentido do belo que Deus implantou na alma humana.”

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11. Pensamentos ~ Bando 2

I.
Rótulos são os quebra-molas da leitura.
Você pode passar por cima, mas é prudente ir devagar.

II.
A poesia é um aforismo com roupa de baile.

III.
Ao homem com fome não basta ter os ingredientes,
é preciso visualizar a refeição e comê-la.

IV.
Acompanhar política é um mal necessário. É como conferir se o capitão do Titanic não está bêbado – e acelerando em direção ao iceberg.

V.
O povo venezuelano está em uma relação abusiva com seu governo. A nós, vizinhos, resta escutar os gritos de socorro na madrugada…

VI.
A única diferença entre apertar uma tecla na urna esperando que um político resolva nossos problemas e escrever uma cartinha para o Papai Noel, é que, geralmente, o bom velhinho cumpre as expectativas.

VII.
Revisitar os clássicos é como mergulhar em águas cristalinas durante a pausa de uma longa caminhada sob o sol de verão.

VIII.
Pagar boleto molda caráter.

IV.
O ideal não vale um real.

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10. Pensamentos ~ Bando 1

I.
A cobrança é uma víbora
que se desdobra
em nossa mente.
~
Uma serpente cara
que nos cobra
o presente.

 

II.
Amor, não estamos a sós
o tigre do amor cuida de nós.

 

III.
braços de orfeu

poeta não tira soneca
tira soneto.

 

IV.
para Goethe e Adler

A bela arte é como
uma boa noite de sono.
Nos revigora. Nos acalma.
Alimenta e descansa a alma.

 

V.
Na mesma árvore
em que brota o fruto saboroso
cresce a raiz amarga.

(Não descarte o todo por suas partes).

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9. Sobre as anotações em livros

O Bruno Magalhães, em seu canal no Youtube fez um chamado para que seus expectadores respondessem a duas perguntas sobre anotações de leitura.

Por que você sente necessidade de anotar durante as leituras?
Qual a função que as anotações tem no seu aprendizado?

Respondi lá no próprio vídeo, mas deixarei registrada as respostas aqui também.

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Antes de responder, primeiro gostaria de agradecer o excelente conteúdo canal. Sou um dos muitos espectadores silenciosos.

Tuas perguntas me lembraram um texto do Mortimer Adler, How to mark a book (1942).

A passagem onde o Adler nos faz encarar um livro como um alimento, não como um mero objeto, me marcou bastante.

“Existem duas maneiras de possuir um livro. A primeira é a direito de propriedade que você adquire ao comprá-lo, assim como você paga por uma roupa ou um móvel. Mas este ato de compra é apenas o prelúdio da posse. A apropriação só se torna completa quando você faz do livro parte de você, e a melhor maneira de fazer isso acontecer é escrevendo nele. Podemos ilustrar da seguinte maneira: você compra um bife e o transfere da caixa de gelo do açougueiro para a sua própria, no entanto, você não se apropria até consumí-lo e fazê-lo chegar até sua corrente sanguínea. Eu argumento que,  livros,  também devam ser absorvidos pelo nosso sangue pra que posso te fazer algum bem.”

– As respostas –

1° – Por que você sente necessidade de anotar durante as leituras?
R: Para registar os tesouros encontrados. Como num mergulho no mar em busca de pedras precisas, uma leitura edificante é marcada pela quantidade e qualidade das jóias encontradas. As anotações são um mapa para voltar à expedição.

2° – Qual a função que as anotações tem no seu aprendizado?
R: Servem tanto para reativar a memória da passagem, quando para facilitar futuras citações e consultas.

Grande abraço e boa semana!

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8. Desculpa qualquer coisa

Todos nós carregamos uma mochila invisível de sentimentos. E em algum momento da vida ela estará pesada demais para prosseguirmos. Vasculhar o estoque de sensações e lembranças que carregamos em nosso corpo e mente é um convite para iniciarmos um solitário e silencioso processo de faxina emocional.

Foi durante um desses bota-fora emocionais que me dei conta que carregava um trambolho do peso de um trem: as culpas.

Sem saber o que fazer com as culpas que carreguei por tanto tempo, me vi diante das duas únicas soluções aparentes: ou as botava na mochila invisível de outra pessoa, ou as assumia para mim.

Mas e se pudéssemos transformá-las em outra coisa?

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7. Ironia & Sarcasmo, vocês estão nos atrapalhando!

Não faz muito tempo, dizer o que se pensava poderia fazer de você um criminoso, eventualmente te levar à cadeia – ou à fogueira.

Em lugares onde a repreensão à livre expressão é mais pesada, artistas e rebeldes precisam recorrer a recursos de linguagem para contornarem a censura. Entre metáforas, eufemismos e hipérboles, dois recursos retóricos se entranharam na forma como conversamos:

a ironia &  o sarcasmo.

Aparentemente inofensivos, esses dois trastes estão corroendo os nossos diálogos – principalmente os diálogos online. Isso é tóxico e precisa ser contido.

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6. Sobrevivendo à avalanche de informação

Plin! – Novo e-mail.
Pode ser importante.” – penso.
Não é.

Aproveito que estou com o celular na mão e começo a ver o vídeo que compartilharam no grupo do Whatsapp.

São duas e meia da manhã. Perdi o sono.
Perdi também o controle sobre o consumo de informação.

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